Acordamos zerados, muito descansados, não tem remédio que vença o relaxamento de uma cerveja gelada depois de um dia puxado.. Nossa habilidade para fechar as malas abarrotadas já impressionava, saímos do quarto certos que o próximo sono seria nas nossas camas. No café, pela primeira vez em dias, um belo pão Frances com presunto e queijo, que delícia.
Assim que entramos na estrada nos deparamos com o verdadeiro asfalto brasileiro, como diabos podem se formar tantos buracos aqui, e nenhum buraco no asfalto do exterior? Remendo em cima de remendo já remendado. Porcaria, isso jogou nossa velocidade média pra baixo, no dia anterior fizemos em 12 horas a mesma km que teríamos que fazer hoje, mas com esse asfalto ruim. Ou encurtamos o tempo dos pit stops, ou não chegaremos hoje..
Essas fotos nem precisaram ser renomeadas, a maior parte do asfalto é tingida pelo vermelho do barro gaúcho, enquanto em SC e em vários outros estados temos barro marrom.. O maldito barro vermelho gosta de tingir tudo, todos os carros, sapatos e toalhas brancas ficam impregnados pela cor do RS. Mas podia ser pior, podia ser azul do Grêmio..
Junto do asfalto ruim vem as curvas, normalmente me divertiria nelas, mas naquele dia o objetivo era diferente. Logo na primeira parada nos decepcionamos com a velocidade média, realmente naquelas condições fica muito difícil rodar tanto, mas tudo bem, fazer isso de folga ainda é legal.
Cruzamos a fronteira com SC, que alegria, começava a bater no peito o orgulho de termos feito tudo isso sem absolutamente nenhum incidente.. As placas aos poucos indicavam cidades mais próximas ao destino, agora nas paradas já não falávamos do cansaço, planejávamos com quem jantar, se faríamos ainda hoje uma sessão de fotos..
De repente, pela região de Brunópolis, uma baita nuvem escura no céu, caramba, já rodamos uns 3300km de sol, será que nos 250 km finais teremos chuva? Pronto, não pude nem terminar o raciocínio, uma baita chuva desabou. O asfalto virou um sabão, toda a sujeira dos longos dias de sol boiava na água que molhava, mas não lavava a pista. Encontrei abrigo em um ponto de ônibus, olhando o GPS identificamos um posto de gasolina a menos de 4 km dali, decidimos seguir em frente.
Em 2 minutos nos arrependemos demais, a chuva que estava chata e perigosa se transformou numa pequena tempestade, baita aguaceiro, tive que ligar o alerta e andar devagar pelo acostamento.. Todos os caminhões que ultrapassáramos alguns kilômetros atrás estavam agora nos ultrapassando com facilidade. Aqueles 4 km até o posto devem ter levado de 10 a 15 minutos. Ao chegar no posto, cadê o posto? Fechado, ou abandonado, sei lá.. Tudo bem, o telhado está aqui. Paramos e ficamos esperando a chuva diminuir, como a maioria das chuvas de verão, ela parou na mesma velocidade com que chegou.
Novamente em cima da moto, seguimos já imaginando chegar em casa com luz do dia. Maldição, mais chuva, decidimos nem parar. Baixamos mais o ritmo e seguimos em frente. O cansaço bateu forte em mim, os 120km rodados debaixo de chuva nos maltratou demais, o trecho da Serra da Santinha estava muito liso, foi muito chato ter que andar lá em baixo d’água. Por vezes pensamos em parar em um hotel, mas poxa, estávamos praticamente do lado de casa!
Quando saímos do posto, só tempo seco, que alegria, território bem conhecido e seco, foi fácil demais, o cansaço ia passando conforme as placas indicavam a proximidade de Blumenau, nem demos bola para a noite que chegava..
Estávamos eufóricos, 11 dias de viagem, a primeira grande viagem de moto de nós dois, nossa primeira grande aventura, tudo impecável, sem nenhum momento ruim, nenhum arrependimento, nada, pura curtição!
Quando a placa sinalizou com Bem Vindo a Blumenau demos gritos de alegria, o hodômetro passava um pouco dos 3500 km rodados, conseguimos não só fazer a aventura, como também passar um dia a mais em Punta del Este, um dia a mais em Buenos Aires e ainda assim, chegar um dia mais cedo em casa! Caramba!!
A emoção parece até boba, mas com tantas memórias, tantas descobertas, tantas alegrias.. Eu pilotava imaginando quantas vezes nos lembraremos de todos estes momentos, recordações que são capazes de nos arrancar um sorriso em meio a uma fila de banco.
Essa viagem criou dentro de nós um lugar onde podemos estar, sempre que quisermos. Até agora não sabemos responder porque resolvemos ir até lá de moto, essa resposta não importa, o que importa é que conseguimos, fomos, vimos, viemos.. Hoje voltamos diferentes, percebemos o quão pequenos somos diante de todas as paisagens que vimos, mas também percebemos que somos capazes de mais do que imaginamos. Hoje quando olhamos para um mapa podemos apontar para alguns pontos ao longe e dizer que fomos até lá de moto, vencendo metro a metro toda essa distância. E o melhor de tudo isso é saber que se quisermos, iremos adiante, somos todos livres, com um baita mundo à disposição, basta levantar e ir.
Luiz Parabéns pela coragem e pela aventura, é isto que devemos fazer nesta vida, viver emoções!!!
ResponderExcluirVocê levou 2 bauletos laterais, se arrependeu de não levar um bau com esconto p/ transporte de mais utensílios e encosto da Debora?
E a moto como reagiu, na próxima vocês vão com que moto?
Abraço Marcelo Sobrinho
Olá Marcelo, obrigado pelo comentário!
ResponderExcluirDepois dessa viagem já fizemos em 2012 outra até o Uruguai e no final de 2013 fizemos uma maior, indo até o Chile e novamente passando pelo Uruguai e Argentina, nesta não fizemos blog e sim video: https://www.youtube.com/watch?v=f33AE-nskeQ
Nesta do Chile cheguei a fazer um encosto, levava nele as capas de chuva e 2 sprays de encher pneu. A Debora gostou demais do encosto, tornou a viagem muito mais confortável, recomendamos!
A moto se comportou muito bem, não tivemos nenhuma surpresa negativa. Algum dia iremos até o Ushuaia, mas de big trail, por hora vamos "dar um tempo" nesse hobby e curtir outros, rsrss.
Abraços!